Gostamos de escrever e de pensar. Costumávamos trocar e-mails, mas decidimos expor nossas ideias a quem quer que queira vê-las, e assim surgiu o Abracabessa. Sem cedilha mesmo, porque tudo pode ser mudado - e mesmo que não seja para melhor, às vezes a mudança traz consequências fantásticas!

26 de jul. de 2010

CLARO - A do Ronaldo, o Fenômeno


Eu, se fosse aliar meu nome ao de uma empresa, procuraria conhecê-la.
Eu, se fosse um Fenômeno, faria uma verdadeira investigação.
Mas, como Ronaldo não procura nem saber se está transando com gay ou com mulher, é de se esperar essa falta de cuidado mesmo.
Comprei um modem da Claro há mais de um ano. Há duas semanas contatei a Oi para testar o 3G deles de graça, durante 60 dias.
Recebi o chip da OI, que devo colocar no modem desbloqueado e é aí onde um novo problema com a Claro se inicia. Novo, sim, porque já tive vários e por isso mesmo me desfiz do número que mantinha com eles desde meu primeiro celular.
Na quinta-feira passada (22/07) fui à loja Claro da Fernandes Lima, vizinha ao Bompreço, defronte ao antigo Shopping Cidade. Fui atendida. Não foi gerado protocolo desse atendimento. Não me preocupei em exigi-lo porque considerei que seria algo tão simples! A atendente, no guichê 7, depois de muitas idas e vindas e muito perguntar tudo a todos os colegas, volta e me diz que não tem cabo para conectar o aparelho.
- Mas comprei esse aparelho aqui e vocês não têm cabo?
- É que não vendemos mais, a senhora vai ter que trazero cabo, ou então faz o procedimento em casa mesmo.
Imprimiu o passo, me deu um número de desbloqueio. E eu, em férias e decidida a não me abalar, sa´´i de lá pensando "Em casa resolvo, em casa resolvo, aummmm, aummmmm".
Acontece que meu Windows 7 não tem o caminho necessário para o desbloqueio. Liguei 1052 e falei com 5 atendentes e nenhum deles parecia compreender o que eu queria.
No sábado, voltei à Claro, com o cabo + contrato + nota-fiscal + identidade e cpf + modem + chip da OI. Fui atendida no guichê 8, novamente sem protocolo, novamente esperando calmamente, novamente certa de que tudo estaria resolvido em breve. Novamente, depois de longa atividade não sem em quê, volta o rapaz
- Sabe o que é? O notebook da loja tá quebrado. São dois, mas só tem um e tá quebrado, mas a senhora pode fazer em casa
- (expliquei porque não poderia)
- Mas a senhora pode ir na Claro do Shopping, lá eles fazem.
O shopping não era meu destino, não estava em meus planos e fica do outro lado da cidade. Como ainda estava em férias e minhas sobrinhas também, saí de lá e convidei minha mãe e as meninas para um passeio. Fomos, com Marina a tiracolo.
No shopping:
- Eita, não vai dar para fazer porque o computador daqui ta quebrado...
- Não, não é possível. Eu fui à loja do Farol duas vezes e a última resposta foi essa. E o computador daqui está quebrado. Certo. Por favor, me dê a ficha de atendimento que lhe entreguei.
- Um momento, senhora - disse a moça, sentindo cheiro de PROCON, na certa, pois finalmente alguém da Claro abriu atendimento protocolado.
Não queiram saber quão irada fiquei! No domingo procurei fazer o desbloquei nos computadores de amigos, mas a versão do Windows era a mesma do meu. Liguei novamente para a Claro 1052. A atendente, mais estressada do que eu, em voz alta, terminou o atendimento dizendo
- Então, minha senhora, se quiser desbloquer entre em contato com o fabricante do modem (repetiu isso 3 vezes após eu explicar que a obrigação é da operadora e o modem não apresenta defeito) ou então vá a outra cidade e procure a Claro de lá.
Dá para acreditar nessa resposta!? Pedi que repetisse o número do protocolo, pois eu não havia ouvidos os últimos dígitos.
Acessei o site e procurei atendimento virtual. Pedi que repetisse o último protocolo e a atendente deu o anterior. Pesquisei meu protocolo no site e ele simplesmente não existia! Sumiu! Deletado. Prático, não? Como procurar reparação, explicações, se quem manipula simplesmente deleta o "problema". Uma hora depois do bate-papo do atendimento virtual pedi que a pessoa registrasse a reclamação sobre as lojas citadas, bem como sobre a ausência do protocolo - que eu acho gravíssimo. Informei que procuraria a Anatel e o Procon, o que fiz hoje, segunda-feira, dia 26/07.
Os registros das reclamações, para acompanhamento ou checagem:
Protocolo do último atendimento (foram vários) no 1052 ---> 2010145915124, atendente Helen
Protocolo do último atendimento na loja Claro do Iguatemi---> 2010145521839, atendente Souza
Protocolo do último atendimento no site 2010145933571, atendente Nayara
Nº do processo no PROCON-AL 1110-011-334-8
Nº da reclamação na ANATEL 933829-2010
Pesquisem no site da ANATEL http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=246292&assuntoPublicacao=Ranking%20SMP%20-%20JUN%202010&caminhoRel=null&filtro=1&documentoPath=246292.pdf
Do PROCON-AL http://www.procon.al.gov.br/ranking/rk20.pdf
Do site de defesa do consumidor RECLAME AQUI http://www.reclameaqui.com.br/indices/7712/claro/

8 de jul. de 2010

Segue abaixo mais um texto lido e comentando via e-mail que decidimos compartilhar aqui:


O insustentável preconceito do ser


Rosana Jatobá, jornalista da Globo

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.

Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:

- Recomendo um passeio pelo nosso "Central Park", disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!

-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.

-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.

-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?

-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem "farofa" no parque.

-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.

-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar....

De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os "Paraíba", que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a "Cabeça chata", outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:

-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:

"O teu cabelo não nega, mulata

Porque és mulata na cor

Mas como a cor não pega, mulata

Mulata, quero o teu amor".

"É ofensivo", diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão "pé na cozinha", para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.

O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

"Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra 'niger' para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:

'Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe'...que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).

Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan 'black is beautiful'. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém".

Será que na era Obama vão inventar "Pé na Presidência", para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como "inofensivos" , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

- A minha "criadagem" não entra pelo elevador social !

E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, "viado", maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:

- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!

Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:

-Só podia ser loira!

Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:

- Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia ...

Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: "O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem".

Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.

O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:

-Só podia ser mendigo!

No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:

-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos. ..

Rosana Jatobá

Rosana Jatobá é jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo. Também apresenta a Previsão do Tempo no Jornal Nacional, da Rede Globo.

Esse texto é parte da série de crônicas sobre Sustentabilidade publicada na CBN

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E por falar em preconceito gostaria de colocar uma opinião baseada no que vi na copa do mundo de 2010 realizada no continente africano:


Primeiramente escutei inúmeros comentários de que a áfrica não teria condições de realizar uma copa do mundo, inclusive alguns dizendo que a toda poderosa alemanha já estava na alça de mira preparada para “abraçar a causa”, caso a áfrica não conseguisse realizar o evento. Depois reclamaram da bola, do barulho das cornetas - as chamadas vuvuzelas – que, aqui pra nós é um saco mesmo, mas se fosse em outro canto ninguém ia pedir pra parar nada.

Eis que começa a copa. e o que vi?

A começar pela propaganda da coca cola, que sempre apresenta produções muito requintadas e até emocionantes devido ao cuidado que salta aos olhos em suas campanhas. Fizeram uma propaganda horrorosa com meninos negros e pobres correndo em campos de terra, subindo penhascos e estambocando seus enormes joelhos, fugindo desesperados de monstros que mais parecem lixões que os perseguem implacavelmente.

terá sido coincidência que os chamados "favoritos", representados pelos “irmãos de cima”, tenham tido uma apresentação tão pífia? Pois é... itália, frança, inglaterra, estados unidos, austrália com seu pior time que já vi jogar, não deram a devida importância a essa copa por que ela foi realizada na áfrica. Levaram o que tinham de pior em seus elencos e foi nisso que deu: quando abriram os olhos a copa tinha ido pro brejo. Até a grécia apresentou um futebol sonolento, enfadonho, chegando ao irritante. A própria alemanha quase sai e só passou - no pau do canto como dizia minha avó, quando a gente passava apertado de um ano pro outro na escola – por que o seu pragmatismo inconsciente de tão arraigado despertou e botou o time pra correr e tentar pelo menos jogar.

Por outro lado, vi os times representantes da áfrica, especialmente a nigéria e camarões, de quem eu muito esperava e temia, num possível confronto com o brasil, completamente apáticos cometendo erros “incometíveis”, aceitando, como encantados, em quase todas as partidas, uma supremacia inexistente, pois os adversários quase caíam em campo, sonolentos que estavam. Times totalmente desprovidos de vontade, garra, entregando o ouro pra ninguém. fizeram da copa olixão da coca cola. e haja perseguição!...

Paulo Caldas

26 de jun. de 2010

Sobre a relação Mulher bonita x Marido Rico

Como deixamos claro na página inicial deste blog, a idéia de compartilhar nossos pensamentos aqui surgiu a partir de conversas virtuais, em trocas de e-mails. E foi numa destas recentes trocas, que surgiu mais um assunto que acreditamos ser pertinente compartillhar aqui para possíveis extensões do assunto. Conversávamos sobre o e-mail: " Mulher bonita & Marido rico", que circula pelas contas de @ internet afora:


PROCURA-SE MARIDO RICO
Saiu no Financial Times (maior jornal sobre economia do mundo).

Uma moça escreveu um email para o jornal pedindo dicas sobre "como arrumar um marido rico".

Contudo, mais inacreditável que o "pedido" da moça, foi a disposição de um editor que, muito inspirado, respondeu à mensagem de forma muito bem fundamentada.


E-mail da MOÇA:
"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste jornal, ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que

possa me dar algumas dicas?

Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West.

Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente.

Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela? (Raphaella S.)"
Resposta do editor do jornal:

"Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação.

Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo a toa...

Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio.

Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas : Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro.

Mas tem um problema. Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao

contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta!

Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco. Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de

ser comprada. Usando o linguajar de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como

'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece...

Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim! Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar.

Cogitar...Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio...podemos marcar?
(Philip Stephens, associate editor of the Financial Times - USA)
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Sabe aqueles e-mails nos quais a gente não pode confiar mas pode acreditar? É assim: vc não sabe se é real, mas sabe que bem poderia ser...É o caso deste. Por menos que eu queira admitir, desde que participei de movimento feminista - certamente por estar mais atenta ao assunto - tenho observado muitas mulheres com o tipo de ideia da moça abaixo. É grosseiro porque está escrito, mas no dia-a-dia se vê/ouve isso a todo tempo, mas não há crítica, não se reflete sobre o assunto.


Ouço mulheres da MINHA IDADE (não com 15 ou 25) com filhos, mas solteiras, dizendo que queriam um homem que ganhasse R$ "X", mas que não pretendem parar de trabalhar e de ganhar "seu" dinheiro, que será dela e dos filhos. Ou seja, o homem-parceiro-amor-da-minha-vida vai trabalhar para a família e ela vai trabalhar para si e sua prole. Justo? Nem um pouco! E a bendita frase "Só tem mulher quem pode", que é usada pelas mais jovens para explicar porque não saem com quem não tem carro ou não paga a conta ou não oferece presentes caros.

Minha mãe é viúva e teve que trabalhar muito para nos sustentar. Acho que por isso fiquei com a ideia pervertida de que é minha obrigação, por minha condição de "ser social", trabalhar para me manter e me sentir feliz, orgulhosa com isso, ao invés de viver à beira de ser salva da situação.

Acho tão absurdo estarmos em 2010 e ainda existir esse tipo de piada, de mulher, de situação, de indignação...tudo que eu queria era poder dizer à Marina, daqui a alguns anos "Ah, no tempo da minha avó as mulheres dependiam dos homens e se orgulhavam disso...". Marina vai ver que ainda É assim. Está mudando, mas ainda É assim.
Obs.: Minha avó foi casada várias vezes e nunca dependeu de homem nenhum...acho que minha ancestralidade joga a meu favor rs

 Falar disso não é chover no molhado. A indignação não pode NÃO ser expressada, certo? Mesmo que o assunto seja mofado e nos remeta a algum tempo depois da Era do Gelo...

(Patrícia)
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Eu já tinha visto esse email antes, e concordo quando você diz que a gente não pode confiar, mas pode acreditar. Aliás, no meu caso imaginei até a cena: No fim das contas a mulher aceita o convite do cara que respondeu, pq vai querer mostrar pra ele que é um investimento confiável (bonita, magra, etc), pensando que ele possa se convencer e querer algo mais duradouro. Infelizmente é isso ai. Algumas mulheres encaram os atributos físicos que possuem como forma de sedução para conseguir determinadas coisas. E alguns homens, pra ser bem sincera eu acho que a maioria, ve a mulher da mesma forma... De acordo com o peito, a bunda, a barriga e o rosto que elas têm. Ambos querem negociar esse "produto". Pq que propaganda do dia dos namorados so aparece mulher de langerie? Pq é tão mais comum ver mulheres prostitutas? Pq o corpo das mulheres parece ser tratado mesmo como mercadoria. Uma mercadoria que assim como outras do mundo consumista perde a graça com o tempo, e precisa ser trocada. Por isso que o cara fala que ela é uma peça a ser comercializada (como algo em promoção, ponta de estoque), mas não adquirida (vai comprar do estoque, sabendo que tem peça mais nova pra chegar?). Algo mesmo tão retrógrado e tão idiota.


Eu já ouvi milhares de vezes da boca de conhecidas a pérola "só tem homem quem pode", principalmente referindo-se à caprichos (r$) que eles se submetem a fazer para agradá-las. Taí outra frase mais babaca, mais pobre e mais sem classe que eu já ouvi. Seria a mesma coisa que dizer só tem carro quem pode por combustível, só come quem pode comprar comida, só dorme quem tem cama, ou seja = relação propriedade $ x objeto.
O que eu acredito é que toda relação é uma troca de interesses, disso não há do que fugir. Você nasce por que de alguma forma sua mãe queria/procurou ter um bebê. E aí cria um laço com ela pq depende dela pra sobreviver. Cria laços na escola pq precisa viver em comunidade, e tem algum tipo de relação amorosa também por uma troca de interesses. Só que esses interesses variam, muito. No meu caso, acho que procuro (procuro não, que eu nao quero objeto, hehe) um cara que goste dos mesmos estilos de música/literatura/cinema, que goste de conversar, seja mais alto e tão confuso quanto eu, pra entender minhas viagens, etc, será uma troca... De experiências, vivências, cultura... Mas não deixará de ser. No caso do grupo ao qual a mulher retratada pertence, ela oferece prazer sexual pelo prazer material. E não parece pensar numa possível cumplicidade, o importante é poder se mudar pra casa da rua X. Pra mim infelizmente isso ainda é um resquício dos tempos passados, em que a mulher não tinha uma vida profissional, e a vida era casar, ter filho e cuidar da casa. E diante disso, tinha que se preocupar em arrumar um "bom partido" pra sustentar a turma toda, já que ela não podia fazer nada pra contribuir. Mas e agora, mulherada? Que a gente pode votar, trabalhar, estudar, e se aperfeiçoar quantas vezes quiser numa área? Precisamos mesmo nos submeter à coisas tão pequenas, como o desdém de um homem a um corpo de uma mulher que naturalmente vai envelhecer? Ou será que os homens permanecem sempre gatinhos? ¬¬ E ainda ficam pior viu, pq pelo menos eu nunca conhecí uma senhora sequer careca! hahaha. Beijo!

(Stéfany)
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8 de jun. de 2010

GEMAS

Gemas sempre são redondas
Até que tentam voar...

Um espreguiço,
E tornam-se pássaros a gorjear,
Um passo
E uma pessoa passa a passear,
Um ganido
E um cão passa a ladrar

Gemas sempre são redomas
Até que tentam partir, levitar,
Criar asas, mergulhar,
Em si e no azul do pensar
Rodilhas a iluminar
Gemas sempre são luares
Segregando serenar

Seres sempre singulares
Escorrem na escuridão
Espalham-se à multidão,
Nascendo acima dos ares
Enchendo o mar de “brilhares"
E pingos de amanhecer...

Cambaxirras e canários,
Craviolas, campanários,
Acendem o alvorecer
Enchendo o ar de aromas
Gemas sempre são redomas
Até que tentam parir, peneirar,
Criar rumos, caminhar,
Em si e no azul do pensar...




Paulo Caldas – Junho 2010

31 de mai. de 2010

Luzes

Uma mulher acende velas. Naquela janela em frente, bem ali, uma mulher acende velas. Ela fecha a vidraça, a chama sobe alto, depois diminui, então entreabre o postigo e o vento que vem da rua em nada interfere na dança da chama. Deve haver um móvel onde fica o cachepot. Não usa candelabro ou castiçal, nem algo improvisado, mas um cachepot vasado, pois quando a vela está pequena forma-se uma figura parecida com flor ou estrela. É o melhor momento da vela, quando está pequena, porque a chama se agita sem motivo, torna-se inusitada, sai da fleuma de sua única obrigação de iluminar e pende então para qualquer lado, sem motivo nem brisa.


Terá perfume aquela vela? Penso que sejam velas sempre iguais, ao menos no tamanho o são. Se uma for perfumada, todas serão. Se não servirem para perfumar o ambiente, para que acende as velas, essa mulher?

Nunca, até hoje, fui muito além nos pensamentos sobre ela. É já noite quando chego em casa e as rotinas de chegar sempre terminam em meu quarto. Abro então minha janela e já procuro a luz que vem da outra. É tão natural quanto abrir os olhos ao som do despertador e procurar o sol para estar certa de não ser um sonho, para ter a triste certeza de precisar deixar as cobertas e me tirar do melhor do dia. Nunca a vi, nem dela tenho qualquer curiosidade, não quero saber com quem mora ou do que gosta ou mesmo para que acende as velas.

Pergunto isso, de mim para mim, com a mesma intenção de saber se está “Tudo bem?” com o rabugento vendedor de cocada. Se algum dia ele decidir responder irá atrapalhar todo o meu dia. Mesmo assim vou parar para ouvi-lo, e se for algo triste vou me comover e ficar muito penalizada e até vou ajudar, porque as pessoas tristes me dão certo alento, é bom saber que há pessoas com problemas piores que os meus e que eu, não podendo resolver os meus, faço diferença na vida alheia. É por isso que faço caridade. Não sei as outras pessoas, mas eu faço caridade porque não quero passar de todo por incompetente – “Não resolvo os meus porque são problemas terríveis, mas ajudo muita gente!”. Tem funcionado.

Escorrego a cortina e fecho minha janela, mas o tecido fino deixa aquele brilho fraquinho, lá longe, como se a distância fosse de anos e não de alguns passos. Nunca vi homem de coque, mesmo que traga cabelos compridos, por isso sei que é uma mulher. E sei que acende velas.

Meu gato morreu. Comeu algo envenenado, creio. Essa foi a explicação para todas as mortes felinas da minha infância, por isso mantenho a ideia de que gatos não adoecem nem têm morte natural, todos são assassinados, insistentemente, 7 vezes. De onde vem tanto ódio aos gatos? Será inveja de sua ascendência leonina? O meu não merecia inveja de ninguém. Vira-lata, bandoleiro, infiel como ele só, já estava aqui quando vim morar, mas era bem cuidado então suponho que deixou a família e voltou para “sua” casa. Dizem que esses bichos se apegam à moradia e não às pessoas. Agora foi embora de vez – ou não, quem sabe? Sei que não volta mais de madrugada, não grita no telhado nem na minha porta, não sobe na minha cama, não o derrubo mais, nem se lambe, nem me atrapalha o caminhar, nem me olha. Se ninguém me olha, como sei se existo? O gato não me olha, o vendedor de cocadas não me responde, a dona da janela não se importa de ser observada por mim. Eu existo?

Deve ter viajado. Há dois dias as janelas abertas não mostram movimento na casa. Não estou preocupada com ninguém, tanto que olho apenas para ver se alguém acende a vela, alguma vela, ou o resto da que já esteja lá, caso não tenha queimado por completo.

Terminei de arrumar a última caixa. Os móveis foram alugados com o imóvel, ficarão todos, trouxe apenas roupas e enxoval de cozinha. Nunca tirei uma pequenina lasca de parede, nenhuma quina se quebrou em mim, não há crianças para riscar paredes e as visitas, civilizadas, nunca barbarizaram por aqui. Entrego tudo como encontrei. Menos o gato, que não está mais, mas não por culpa minha, foi veneno, mas não eu. As pessoas dirão, amanhã, quando vieram visitar para conhecer ou alugar: “Nossa, parece que ainda mora alguém, tão arrumado está” e nunca entendi essa frase, pois é justamente o oposto, se mora alguém, deve estar sujo, porque a vida marca as coisas. O rosto, o colchão, o chuveiro, a pintura, a fritura, o reboco, o suor, a lâmpada, a sujeira no rejunte, o batom, o lenço, a vela. Se alguém morasse aqui haveria marcas, não há cuidado que apague as marcas de uma vida. Vida discreta que seja, tímida, resumida, sumida, leve, lenta, suave, fugida. Vou deixar as caixas assim mesmo, sem lacrar, não quero ir à venda buscar fita adesiva.

Trancou a porta, passou a chave pela fresta dentro do envelope com um bilhete “Depositei o último mês. O gato foi envenenado, não vai incomodar o próximo inquilino”.

30 de mai. de 2010

Luzes

Uma mulher acende velas. Naquela janela em frente, bem ali, uma mulher acende velas. Ela fecha a vidraça, a chama sobe alto, depois diminui, então entreabre o postigo e o vento que vem da rua em nada interfere na dança da chama. Deve haver um móvel onde fica o cachepot. Não usa candelabro ou castiçal, nem algo improvisado, mas um cachepot vazado, pois quando a vela está pequena forma-se uma figura parecida com flor ou estrela. É o melhor momento da vela, quando está pequena, porque a chama se agita sem motivo, torna-se inusitada, sai da fleuma de sua única obrigação de iluminar e pende então para qualquer lado, sem motivo nem brisa.


Terá perfume aquela vela? Penso que sejam velas sempre iguais, ao menos no tamanho o são. Se uma for perfumada, todas serão. Se não servirem para perfumar o ambiente, para que acende as velas, essa mulher?

Nunca, até hoje, fui muito além nos pensamentos sobre ela. É já noite quando chego em casa e as rotinas de chegar sempre terminam em meu quarto. Abro então minha janela e já procuro a luz que vem da outra. É tão natural quanto abrir os olhos ao som do despertador e procurar o sol para estar certa de não ser um sonho, para ter a triste certeza de precisar deixar as cobertas e me tirar do melhor do dia. Nunca a vi, nem dela tenho qualquer curiosidade, não quero saber com quem mora ou do que gosta ou mesmo para que acende as velas.

Pergunto isso, de mim para mim, com a mesma intenção de saber se está “Tudo bem?” com o rabugento vendedor de cocada. Se algum dia ele decidir responder irá atrapalhar todo o meu dia. Mesmo assim vou parar para ouvi-lo, e se for algo triste vou me comover e ficar muito penalizada e até vou ajudar, porque as pessoas tristes me dão certo alento, é bom saber que há pessoas com problemas piores que os meus e que eu, não podendo resolver os meus, faço alguma diferença na vida alheia. É por isso que faço caridade. Não sei as outras pessoas, mas eu faço caridade porque não quero passar de todo por incompetente – “Não resolvo os meus porque são problemas terríveis, mas ajudo muita gente!”. Tem funcionado.

Escorrego a cortina e fecho minha janela, mas o tecido fino deixa aquele brilho fraquinho, lá longe, como se a distância fosse de anos e não de alguns passos. Nunca vi homem de coque, mesmo que traga cabelos compridos, por isso sei que é uma mulher. E sei que acende velas.

Meu gato morreu. Comeu algo envenenado, creio. Essa foi a explicação para todas as mortes felinas da minha infância, por isso mantenho a ideia de que gatos não adoecem nem têm morte natural, todos são assassinados, insistentemente, 7 vezes. De onde vem tanto ódio aos gatos? Será inveja de sua ascendência leonina? O meu não merecia inveja de ninguém. Vira-lata, bandoleiro, infiel como ele só, já estava aqui quando vim morar, mas era bem cuidado então suponho que deixou a família e voltou para “sua” casa. Dizem que esses bichos se apegam à moradia e não às pessoas. Agora foi embora de vez – ou não, quem sabe? Sei que não volta mais de madrugada, não grita no telhado nem na minha porta, não sobe na minha cama, não o derrubo mais, nem se lambe, nem me atrapalha o caminhar, nem me olha. Se ninguém me olha, como sei se existo? O gato não me olha, o vendedor de cocadas não me responde, a dona da janela não se importa de ser observada por mim. Eu existo?

Deve ter viajado. Há dois dias as janelas abertas não mostram movimento na casa. Não estou preocupada com ninguém, tanto que olho apenas para ver se alguém acende a vela, alguma vela, ou o resto da que já esteja lá, caso não tenha queimado por completo.

Terminei de arrumar a última caixa. Os móveis foram alugados com o imóvel, ficarão todos, trouxe apenas roupas e enxoval de cozinha. Nunca tirei uma pequenina lasca de parede, nenhuma quina se quebrou em mim, não há crianças para riscar paredes e as visitas, civilizadas, nunca barbarizaram por aqui. Entrego tudo como encontrei. Menos o gato, que não está mais, mas não por culpa minha, foi veneno, mas não eu. As pessoas dirão, amanhã, quando vierem visitar para conhecer ou alugar: “Nossa, parece que ainda mora alguém, tão arrumado está” e nunca entendi essa frase, pois é justamente o oposto, se mora alguém, algo está sujo, porque a vida marca as coisas. O rosto, o colchão, o chuveiro, a pintura, a fritura, o reboco, o suor, a lâmpada, a sujeira no rejunte, o batom, o lenço, a vela. Se alguém morasse aqui haveria marcas, não há cuidado que apague as marcas de uma vida. Vida discreta que seja, tímida, resumida, sumida, leve, lenta, suave, fugida. Vou deixar as caixas assim mesmo, sem lacrar, não quero ir à venda buscar fita adesiva.

Trancou a porta, passou a chave pela fresta dentro do envelope com um bilhete “Depositei o último mês. O gato foi envenenado, não vai incomodar o próximo inquilino”.

7 de mai. de 2010

"Chuva de contairnes, entertainers no ar".

Big Brother Brasil. Rebolation. Carnaval. Ressaca do carnaval. Gaiola das Popozudas. Sorria, você está na Record. Plantão de Polícia. Quem deve deixar a casa? Vote agora! A fazenda. O Fuxico. Copa do mundo. Esquadrão da moda. Zorra Total. Casseta e Planeta. Gugu ou Faustão? NxZero. De volta pra minha terra. Swinga, Requebra, Samba Maceió.



Sabe aquela época lá do colégio em que você se sentia sufocado assistindo aula de química e torcia pra tocar logo pro intervalo? Então, parece que agora todos nós podemos pular essa parte chata e ir direto pro pátio, para a hora do recreio!
Não entendeu como? Super simples. Basta ligar a televisão ou outro meio de espaço midiático como a internet, e observar o estilo de conteúdo ao qual estamos constantemente sendo bombardeados.
É o regime novo da atriz que emagreceu 10 kgs em 1 mês, um cantor que está de casinho novo, a filha de um outro artista, que nem é do meio, mas já ganha condição de celebridade, ou mesmo o seu Zé da esquina que foi ferido num episodio violento, e ainda agoniza, enquanto as câmeras se voltam atentas para o seu corpo.
“Por que a noticia é um show”, diz frequentemente um locutor de um programa de rádio AM. E baseados nesse espetáculo é que os meios de expressão da mídia resolvem agir. Programas e noticias que coloquem o expectador á par de seus direitos, sejam eles coletivos ou individuais, são desconsiderados. Porém o BBB, o rebolation e outros tantos dentre os citados acima que nos deixam apenas passivos e nada nos acrescentam, chovem aos montes.
E digo isso por que me recordo da época em que o BBB ia ao ar; numa certa manhã, ligo a TV e me deparo com Ana Maria Braga e mais meia dúzia de famosos discutindo e analisando o perfil de cada participante do reality, e o rumo que este poderia tomar, a medida que os jogadores fossem saindo. Custei a acreditar que em meio á tantas questões mais serias à serem discutidas, um programa dedicasse tanto tempo (e reflexão oO) a algo tão banal. Audiência...
Algumas semanas antes, logo após o carnaval, lá estava o Faustão trazendo o vocalista do Parangolé, para ensinar a dançar o seu “Rebolation”, e ainda foi perguntado a ele de onde surgiu inspiração para compor tal sucesso (parece até ironia, mas não foi!), sim, o cara é compositor, e a inspiração veio quando ele assistia vídeos no youtube. (Posso fazer uma lista de bandas que mereciam muito mais aquele horário para divulgação de seu trabalho).
O que são destinados a nós são informações como esta, de caráter hedonista. No meio dessa produção do entretenimento entram também mortes, violência, drogas e tragédias de todos os tipos, empurradas goela abaixo, em plena hora do almoço, em programas de meio-dia.
Para conseguir uma matéria vale tudo, conversar com o acusado diretamente na cela, filmar corpos recém - assassinados, tentar à todo custo entrevistar a mãe ainda em choque que acaba de perder seu filho...
Após minutos de “tragédia” no ar, surge logo um merchandising, uma partida de futebol, ou o desenho animado, destinados à quebrar essa “tensão” e nos fazer voltar a passividade outra vez.
Me diz se não funciona? Claro que sim, nos acostumamos á ver a brutalidade ao nosso redor e achar que ela é mesmo mais um elemento do nosso cotidiano, por que já foi tão filmado que vira rotina, e se vira rotina, perde todo aquele sentimento que a gente sente quando entra em contato com alguma coisa nas primeiras vezes. Dessa forma, nos acostumamos a ouvir que um amigo foi assaltado e ao invés de questionar o mundo, pedir que ele tome mais cuidado, por que o mundo... ”Ah, o mundo ta assim mesmo...”.
Vira rotina, banalidade, e a gente se acostuma a cruzar os braços e não sair da posição de contemplador. Apenas comprando ingressos, matando a sede, sendo sedados, e quando o espetáculo acaba, (nem dando o trabalho de levantar-se) pegar o controle e mudar de canal.


* Título referente à música Chuva de Contairnes, de Humberto Gessinger.